A bit of bravery.
Todo mundo precisa, pra viver, morrer de vez em quando.
-Tati Bernardi
Escapou ali um beijo na orelha e uma mão que quis esquentar a outra. Mas a gente correu pra fazer piadinha sexual disso, como sempre. E você olhou do corredor e me perguntou: não to esquecendo nada? E eu quis gritar: tá, tá esquecendo de mim. E você depois perguntou: não tem nada meu aí? E eu quis gritar: tem, tem eu. Eu sempre fui sua. Eu já era sua antes mesmo de saber que você um dia não ia me querer. Mas a gente combinou que não era amor. É o que está no contrato. E eu assino embaixo. Melhor assim. Tô super bem com tudo isso. Nossa, nunca estive melhor. Mas não faz isso. Não faz o mundo inteiro brilhar mais porque você é bobo.Não faz o mundo inteiro ficar pequeno só porque o seu jeito é o melhor. Não deixa eu assim, deslizando pelas paredes do chuveiro de tanto rir porque sua voz fica ridícula brava. Não transforma assim o mundo em um lugar mais fácil e melhor de se viver. Não faz eu ser assim tão absurdamente feliz só porque eu tenho certeza absoluta que nenhum segundo ao seu lado é por acaso. Combinamos que não era amor e realmente não é. Mas esse algo que é, é realmente muito libertador. Porque quando você está aqui, ou até mesmo na sua ausência, o resto todo vira uma grande comédia. E eu tenho vontade de ligar pra todos os outros e falar: putz, cara, e você acha mesmo que eu gostei de você? Coitado. Adoro como o mundo fica coitado, fica quase, fica de mentira, quando não é você. Porque esses coitados todos só serviram pra me lembrar o quão sagrado é ser absurdamente feliz mesmo sabendo a dor que vem depois. O quão sagrado é ver pureza em tudo o que você faz, ainda que você faça tudo sendo um grande safado. O quão sagrado é abrir mão de evoluir só porque andar pra trás é poder cruzar com você de novo. Não é amor não. É mais que isso, é mais que amor. Porque pra te amar mais, eu tenho que te amar menos. Porque pra morrer de amor por você, eu tive que não morrer. Porque pra ter você por perto, eu tive que não querer mais ter você por perto pra sempre. E eu soquei meu coração até ele diminuir. Só pra você nunca se assustar com o tamanho. E eu tive que me fantasiar de puta, só pra ter você aqui dentro sem medo. Medo de destruir mais uma vez esse amor tão santo, tão virgem. E eu vou continuar me fantasiando de não amor, só pra você poder me vestir e sair por aí com sua casca de não amor. E eu vou rir quando você me contar das suas meninas, e eu vou continuar dizendo “bonito carro, boa balada, boa ideia, bonita cor, bonito sapato”. E eu vou continuar sendo só daqui pra fora. Porque no nosso contrato, tomamos cuidado em escrever com letras maiúsculas: não existe ninguém aqui dentro. Mas quando, de vez em quando, o seu ninguém colocar ali, meio sem querer, a mão no meu joelho, só para me enganar que você é meu dono. Só para enganar o cara da mesa ao lado que você é meu dono. Eu vou deixar. Vai que um dia você acredita.
Tati Bernardi.   (via florencces)
Poemas pousam quando chegam ao coração.
Júlia.   (via florencces)
Ah o amor…
que nasce não sei onde,
vem não sei como,
e dói não sei porquê.
Luís Vaz de Camões.  (via nowstedd)
Perdi as contas de quantas vezes segurei o mundo dos outros e deixei o meu cair.
Legião Urbana  (via resigna-do)
O ser humano não tem um coração como o meu. O coração humano é uma linha, ao passo que o meu é um círculo, e tenho a capacidade interminável de estar no lugar certo na hora certa. A consequência disso é que estou sempre achando seres humanos no que eles têm de melhor e de pior. Vejo sua feiúra e sua beleza, e me pergunto como uma mesma coisa pode ser as duas. Mas eles tem uma coisa que eu invejo. Que mais não seja, os humanos têm o bom senso de morrer.
A Menina que Roubava Livros.    (via teleportear)
Nem toda palavra é aquilo que o dicionário diz. Nem todo pedaço de pedra se parece com tijolo ou com pedra de giz. Avião parece passarinho que não sabe bater asa. Passarinho voando longe parece borboleta que fugiu de casa. Borboleta parece flor que o vento tirou pra dançar. Flor parece a gente, pois somos semente do que ainda virá. A gente parece formiga lá de cima do avião. O céu parece um chão de areia, parece descanso pra minha oração. A nuvem parece fumaça, tem gente que acha que ela é algodão. Algodão às vezes é doce, mas às vezes não é doce não. Sonho parece verdade quando a gente esquece de acordar. E o dia parece metade quando a gente acorda e esquece de levantar. Eu não pareço meu pai, nem pareço com meu irmão. Sei que toda mãe é santa, sei que incerteza traz inspiração. Tem beijo que parece mordida, tem mordida que parece carinho. Tem carinho que parece briga, tem briga que aparece pra trazer sorriso. Tem riso que parece choro, tem choro que é pura alegria. Tem dia que parece noite. E a tristeza parece poesia. Tem motivo pra viver de novo, tem o novo que quer ter motivo. Tem aquele que parece feio, mas o coração nos diz que é o mais bonito. Descobrir o verdadeiro sentido das coisas é querer saber demais.
O Teatro Mágico.  (via romanteios)
E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz.
Tati Bernardi.   (via colapsoo)
Existem dores maiores? Há quem diga que sim, que um amor perdido dói mais que uma oportunidade largada. Há histórias que juram de pé junto que um tapa bem dado dói menos que a traição de alguém querido. Se existe dor maior que a de perder tal coisa, eu ainda não a experimentei - e se, de fato, existir, não me submeto ao gosto de tentar provar.
Mas, dor maior que outra, deveria ser algo extremamente errado, até porque dor é dor. Se dói, dói. Agonia. Se agonia, envolve, esquenta, queima e prega sua marca. Mas nem sempre as marcas ficam e nem sempre elas deixam de queimar.
Eis aqui, um dia nublado, em que de nada importante eu fazia, quando começou a incendiar, mas sem marca, sem agoniar nem me envolver. Só queimou. Queimou e fez-me lembrar.
Mas não há marca.
Eu não vejo e não lembro quando tudo anda bem.
Entende?
Dor é um sujeitinho ligeiro, é aquela que se esconde por trás dos tecidos do corpo, que espera um dia, no qual, não se há nada a se fazer, pra logo vir incomodar. Pra bater no peito e enraivecer todo o resto, queimá-lo e deixá-lo ali quando pensares que não aguentará mais.
Mas essa, dita acima é uma dor forte, não maior. Ela só é forte… E persistente, dura, brava, otária, indisciplinada, rústica, mal-educada, que entra sem bater, que volta sem pedir. E que espera que peçamos para que vá embora.
Ela me pediu um instante, e eu a dei dois. Perguntei seu nome, por onde andava, o que fazia e porque me dera a graça de sua visita.
Nem me olhar ela quis, nem olhar pra trás se atreveu, só me sussurrou de longe “sempre estou aqui, sei sempre o que fazer, ando pelo teu ‘eu’, gritando às portas do teu coração, que a saudade bateu”.
Por ela entendi, que existe dor desgraçada, dor idiota e dor irritante. Existe dor que merece o sentimento, as que fazem o sentimento não valer e as que chegam sem pedir, pra bater as portas de sei-lá-quem.
Não existe dor maior, existe dor intensa.
Dor profunda.
Muito profunda.
Dor é dor. Não tem outro nome. Talvez sobrenome.
Se eu estiver correto…
Um deles pode ser; saudade.

Desculpa o mau jeito,

mas tô sem jeito 

pra me expressar.

(via almador)